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Notícias do mundo do mobiliário corporativo -
giroflex 64, Tepperman moveis , Voko moveis ,
escriba moveis , Tratto e diversas
empresas
Fonte:Casa e mercado
- www.casaemercado.com.br/materia.php?hIdMateria=46
Foco e resultado
Para manter a Giroflex na liderança, Osvaldo Ribeiro otimiza custos,
investe em design e intensifica a parceria com os especificadores. O
economista possui um vínculo forte com a empresa que preside – foi
consultor e participou de vários momentos decisivos da companhia.
Aqui, fala de mercado, das tendências em móveis corporativos e de
estratégia – inclusive a sua, de fugir da rotina e repousar os olhos
santistas em algum paraíso litorâneo, tendo o mar e a vela como
coadjuvantes.
Como você iniciou sua carreira?
Aos 19 anos, na Price Waterhouse, numa época em que as empresas
faziam o papel de escolas de negócios. Resolvi entrar pela área da
consultoria, onde atuei 11 anos cumprindo todas as etapas e, aos 30,
fui para o setor privado, como administrador de empresas.
Reestruturei negócios e sempre gostei dessa coisa do desafio, do ir
atrás da construção, das coisas fora da rotina. Iniciei meu
relacionamento com os acionistas da Giroflex em 1993 e estive ligado
a quase todos os grandes eventos do grupo. Assumir sua presidência
foi, digamos, um processo natural. Já conhecia bem a companhia e as
pessoas.
Qual foi o maior desafio?
Explorar o potencial de crescimento do setor de mobiliário
corporativo no país. Senti que, através da Giroflex, podíamos criar
um benchmarking para mostrar como se preparar para competir com o
pessoal lá de fora. Se as grandes companhias brasileiras do setor
fizessem uma lição de casa olhando o mercado externo, no mínimo
teriam como competir em nível internacional. O setor é formado por
pequenas empresas familiares, e algumas não têm uma estrutura de
capital forte para agüentar momentos difíceis e cíclicos do setor.
Nosso projeto foi aprovado pelos acionistas para tornar a companhia
blindada a essas questões internas, preparando-a para uma competição
internacional. Nos últimos dois anos, recolhemos quase R$ 130
milhões em impostos. No Brasil, a brutalidade da taxa de 32% sobre
as vendas médias não se compara aos impostos norte-americanos, por
exemplo, que correspondem a quase 1/3 da nossa realidade.
Como competir com esse quadro?
O grupo havia crescido muito rapidamente e, até 1995, 98% das vendas
correspondiam a assentos (cadeiras e poltronas). Em 1997 compramos a
Forma, e os assentos passaram a corresponder a 40% do volume de
vendas. Optamos pela diversificação, agregando marcas tão
prestigiosas e prestigiadas quanto a Giroflex. A Forma era a “Daslu”
dos móveis numa época em que importar era proibitivo e comprar seus
modelos era quase como adquirir um carro importado. Em 2002 vieram
outros dois negócios, mais diferentes ainda: a Aceco, de arquivos
deslizantes, e a Tate, de pisos elevados. No caso da Forma, veio o
mobiliário residencial junto, que é um outro mundo em relação ao
corporativo. Aqui você fala em coleção, há emoção na hora da compra
e o consumidor final está muito próximo dessa decisão. Foi por isso
que criamos a Forma Home, embora a sala de um presidente ou diretor,
ou aquela salinha ao lado e a recepção permitam usar móveis
residenciais.
Qual foi a grande mudança?
Nos produtos para escritório você tem contato com o arquiteto ainda
na etapa do projeto, e não sabe se ele vai comprar móveis ou fazer o
projeto de interiores. Some-se a essa característica tudo o que
ocorreu nos últimos anos, como o boom das pontocom, o 11 de
setembro, a crise final do governo FHC e a entrada de Lula. O setor
sofreu bastante, como um todo, até 2006. Cheguei em maio de 2004 e
dividi o grupo em três unidades distintas de negócios: Mobiliários,
agrupando Forma e Giroflex; Arquivos Deslizantes, para a Aceco, e
Pisos Elevados, reunindo esse negócio e o de carpetes. Criamos em
2006 a Forma Home porque reconhecemos ser uma especialidade dentro
do mobiliário. A rede Forma possui 40 pontos de venda, cinco dos
quais já estão no cronograma de especialização e implantação para a
Forma Home, a exemplo do endereço da Avenida Cidade Jardim, que
deixou de ser uma filial da fábrica para se tornar uma representação
comercial.
Vocês investiram em nova fábrica?
Sim, estudamos a sinergia das áreas industriais e optamos pela fusão
das fábricas do bairro de Santo Amaro e Taboão da Serra. O
investimento, de uns R$ 20 milhões, foi baixo, porque já tínhamos
uma operação industrial lá. A mudança torna a estrutura mais leve,
ágil, precisa e sinérgica. Mantemos a fábrica de pisos elevados no
bairro de São Mateus e concentramos em Taboão a sede do grupo e a
fábrica da Forma e da Giroflex. É um ganho de escala realmente
importante – com essa racionalização vamos ter uma economia de quase
1/3 só em gastos industriais e indiretos de fabricação.
Especializamos o comercial: na área de mobiliário, há um gerente
Forma e um gerente Giroflex, cada um com uma estrutura distinta de
vendas. Criamos uma gerência geral de marketing, comandada por
Sandra Escobar, uma especialista que atuou em grandes marcas como
Herman Miller, Escriba e Voko.
Como diferenciar duas grandes marcas?
Eu diria que a Forma está mais ligada ao design e a Giroflex, à
ergonomia, funcionalidade e eficiência. Giroflex é um equipamento de
trabalho, não um móvel. Se você quer comprar uma cadeira, talvez não
precise ter uma Giroflex, que é um equipamento para você trabalhar
bastante tempo sobre ele. O objeto que você mais usa próximo do seu
corpo é a cadeira, não a cama. Cabe ao marketing ficar atento a
tendências, necessidades do cliente, posicionamento e relação de
preço. No mobiliário corporativo, a relação entre móvel e cadeira é
cíclica – ora é o móvel, ora é a cadeira que é mais valorizada.
E o que há em tendência?
Os móveis estão mais limpos, e aí a cadeira faz a diferença, volta a
assumir um papel de importância. Vimos na feira de Colônia coisas
meio “lego”: em um ‘mesão’ você cria seis estações de trabalho ao
encaixar uma divisória em uma canaleta, e a mesma plataforma pode
ser transformada em duas estações de trabalho. Você junta as peças
conforme a vontade do freguês, usa as mesmas ferragens e os mesmos
desenhos dos pés, dando uma visão arquitetônica mais parecida entre
os elementos, muito legal. Estamos trabalhando nessa linha, que além
do apelo estético de design, tem também o industrial interessante:
muitas peças em comum.
Qual é a relação com o especificador?
O profissional tem uma função muito importante porque está entre
você e o seu cliente; ele cria vantagens comerciais e discute
tendências, norteando-nos com seu feedback. Com o programa GiroCard,
aberto a todos os que especificam nossa marca, viajamos uma vez por
ano com eles, promovendo uma integração. Quando você é líder, tem
vantagens, mas também obrigações; uma delas é inovar e produzir no
mercado local o que é uma tendência lá fora. Não conheço uma empresa
concorrente no Brasil que paga designer para desenvolver produtos
próprios – nós temos vários projetos sendo desenvolvidos com
exclusividade por designers brasileiros.
“Sempre gostei dessa coisa do desafio, do ir atrás da construção”.