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Fonte:revistacasaejardim.globo.com
Design em alta
Um móvel também pode ser um investimento, se você escolher uma
criação valorizada. Antes de comprar uma peça cara, informe-se sobre
seu poder de revenda. A seguir, uma seleção dos designers
brasileiros que já são considerados bons negócios e, para quem gosta
de correr riscos, as promessas do mercado
Texto Beto Abolafio
Você pode turbinar o visual da casa ao comprar “aquela” peça de um
designer nacional e, de quebra, investir a médio e longo prazos. É
que há um interesse crescente no mundo pelo design brasileiro,
fenômeno que advém da globalização. “Com ela, o que é local passou a
ser mais valorizado. É o glocal”, afirma a jornalista especializada
em design e curadora Adélia Borges. Somam-se a isso a qualidade do
móvel moderno produzido aqui, a diminuição do foco sobre o
mobiliário escandinavo e a visibilidade internacional que os irmãos
Fernando e Humberto Campana dão hoje ao desenho nacional.
“Depois das artes plásticas, os colecionadores de fora agora se
voltam para o design”, considera o colecionador João Pedrosa. Ícone
do trabalho de Joaquim Tenreiro, a cadeira Tripé, por exemplo, teria
sido arrematada por US$ 54 mil na Sotheby’s, casa de leilões
norte-americana.
Dá para entender a febre do vintage, tanto no mercado externo quanto
no interno. Ter um móvel assinado de boa safra, vindo dos anos 1940
aos 1970, parece ser tão saboroso quanto ler uma edição manuscrita
de seu autor predileto. “Mas as reedições não perdem o mérito – até
porque o design presta-se mesmo à seriação”, considera Adélia. Chato
é comprar gato por lebre. E isso significa cópias malfeitas.
Portanto, na hora de adquirir um móvel do passado, exija ao menos um
atestado de autenticidade.
Em meio a tantas opções, Casa e Jardim elencou dez exemplos de
produtos projetados por designers reconhecidos internacionalmente e
outros que estão em alta, nos quais você pode, se quiser, apostar.
Mas, à parte a questão econômica, talvez o que valha mesmo seja a
fruição estética proporcionada por determinada peça. Por quê? É o
valor do desejo.
SERGIO RODRIGUES
Desenho de mestre
Aos 82 anos, Sergio Rodrigues experimenta em vida a valorização de
sua obra, fomentada pelo interesse internacional, da América à Ásia.
Foi o autor do primeiro móvel legitimamente brasileiro: a célebre
poltrona Mole, dos anos 1950. Mas não só. Concebida em tauari, a
poltrona Diz (foto), de 2001, já nasceu clássica, com sua dupla
curvatura. Peças do autor carioca feitas de jacarandá são bem
disputadas. A Teo compra por cerca de R$ 4 mil uma Mole em bom
estado e a revende por R$ 12 mil. Reedições atuais, em outras
madeiras, estão na Dpot.
Reprodução
PREÇO: 5.824, na Dpot (15% de desconto à vista ou em dez vezes com
cheque).
OSCAR NIEMEYER
Traço do arquiteto
O centenário Oscar Niemeyer desenhou nos anos 1970 alguns móveis –
espécie de extensão de sua arquitetura. Modernos por natureza,
sofás, cadeiras e espreguiçadeiras trazem curvas típicas de sua obra
usando madeira, palhinha e couro. É o caso da Easy Chair (foto). Um
par de poltronas dessa época, assinadas pelo arquiteto carioca,
teria sido leiloado por US$ 36 mil pela Sotheby’s. Mas são peças
difíceis de serem encontradas. A Teperman produz versões atuais e a
Dpot também vende móveis de Niemeyer. Na Desmobilia, uma versão anos
1990 da Easy Chair, produzida pela Teperman, custa R$ 15 mil (com a
banqueta).