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Trecho do Livro “Claudia Moreira
Salles, Designer”, de Adélia Borges - Editora Bei
Fonte: Revista Casa e Jardim
revistacasaejardim.globo.com
Introdução
Há cerca de 20 anos acompanho o percurso profissional de Claudia
Moreira Salles. Já incluí trabalhos de sua autoria tanto em textos
que escrevi em diversas publicações no Brasil e no exterior quanto
em mostras de que fui curadora. No entanto, as circunstâncias nunca
haviam permitido que tivéssemos uma proximidade maior até outubro de
2004, quando a designer e os diretores da BEI˜ Editora me convidaram
para escrever este livro.
Entre os meses de novembro daquele ano e junho de 2005,
entrecortados pelos afazeres mútuos, tivemos alguns encontros,
necessários para que eu pudesse entrevistá-la sobre cada um de seus
projetos e sobre o pensamento que guiara sua elaboração. Durante
esse período, pude também examinar in loco a maior parte dos móveis
de sua autoria e a interação deles com os ambientes em que foram
colocados.
Aos poucos, o livro ganhou forma, delineando-se o desejo comum de ir
além de um coffee table book para expor o processo de
desenvolvimento da obra de Claudia e a sua contribuição para o
design brasileiro.
Ao longo das conversas, a admiração que eu já tinha pelo trabalho de
Claudia Moreira Salles ia se consolidando. No design – como em
qualquer atividade, aliás –, há aqueles que chegam fazendo barulho,
provocando “ohs!” de admiração por peças destinadas a serem
protagonistas onde quer que estejam. Mas há, também, aqueles que
chegam suaves, discretos, não causam furor à primeira vista.
Contudo, quanto mais se observa, mais se descobre e admira.
A obra de Claudia pertence à segunda categoria. Aliás, não só a
obra, a pessoa também, pois Claudia Moreira Salles é um caso raro de
coerência entre ser e fazer. O seu jeito de existir no mundo é o
mesmo de suas criações: não há alarde, gritaria, arrogância ou
exibicionismo. Para além de um certo pudor a que ela se reserva,
espero poder conduzir o leitor à (re)descoberta de um trabalho que
tem uma firmeza delicada e quase silenciosa. Um trabalho que, quanto
mais se conhece, mais fundo e forte vai ficando o gostar.
Cronologia
1955 - Nasce, no dia 13 de agosto, no Rio de Janeiro, Claudia
Zanelli Espinola, filha do advogado Luis Lima Rocha Espinola e de
Bianca Zanelli Espinola.
1975-78 - Cursa a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
1977 - Trabalha no Instituto de Desenho Industrial (IDI) do Museu de
Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), onde participa de um
projeto de mobília escolar. Seus móveis de papelão para uso em
albergues, feitos em conjunto com Claudia Zarvos e Márcia Zoladz,
ficam em segundo lugar num concurso realizado pela Câmara Americana
de Comércio do Rio de Janeiro.
1978 - Estagia no Ministério da Indústria e Comércio, em
departamento dirigido por Luis Blank.
- Orientada pelo professor Freddy Van Camp, faz o trabalho final de
graduação sobre bibliotecas. O projeto seria implantado depois na
própria Esdi.
- Casa-se com o economista e escritor Fernando Moreira Salles.
1980 - Muda-se para São Paulo.
1980-84 - Em parceria com Pedro Luiz Pereira de Souza, realiza
projetos de instalação de escritórios em São Paulo, de uma creche em
Araxá, Minas Gerais (arquitetura de Paulo Casé) e da casa de
hóspedes da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) -
assinada pelo arquiteto Roberto Cerqueira César, da Rino Levi
Associados -, também em Araxá.
1981-84 - Trabalha na equipe de design da Escriba Indústria de
Móveis, participando do desenvolvimento de um sistema para
bibliotecas.
1984 - Nasce o seu primeiro filho, Lucas.
1986 - Estabelece escritório próprio em São Paulo, onde desenvolve
projetos de móveis e de interiores por encomenda.
1988 - Passa a contar com a sociedade da arquiteta Liliana Saporiti
em seu escritório.
- É incluída no livro Mobiliário brasileiro: a cadeira no Brasil, de
Vera Galli (São Paulo: Empresa das Artes).
1988-1993 - Cria coleções de mobiliário para a Nanni Movelaria,
dirigida por Fulvio Nanni.
1989 - Nasce o filho André.
1991 - Inicia a colaboração com a Etel Interiores, dirigida por Etel
Carmona, projetando peças para produção artesanal em baixas
tiragens.
1994 - Expõe na International Contemporary Furniture Fair, em Nova
York.
- O jornal The New York Times, edição de 12 de maio, publica texto
de Susan Slesin, com fotografia do móvel Secretária, de sua autoria.
A revista norte-americana Interior Design, de março de 1994, ilustra
com foto da mesma peça uma nota sobre a Furniture Fair.
- Participa da mostra coletiva Cadeiras brasileiras, no Museu da
Casa Brasileira, em São Paulo, com curadoria de Adélia Borges e
Guinter Parschalk.
1995 - Seu trabalho é enfocado no livro O móvel moderno no Brasil,
de Maria Cecília Loschiavo dos Santos (São Paulo: Studio
Nobel/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp/Editora
da Universidade de São Paulo - Edusp).
- Integra a exposição Brasil faz design, com curadoria de Marili
Brandão e Vanni Pasça, realizada no consulado brasileiro em Milão;
no Museu da Casa Brasileira, São Paulo; e no Parque Lage, Rio de
Janeiro.
1998 - A Casa França-Brasil realiza a mostra individual Tradição e
transição - O design de Claudia Moreira Salles, no Rio de Janeiro,
organizada por Claudia Zarvos.
1999 - Participa do projeto e da exposição Casabimóvel, promovidos
pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel)
na Feira Internacional de Vendas e Exportação de Móveis (Fenavem),
Parque Anhembi, em São Paulo.
- Integra a mostra Design & Natureza - Manejo florestal, com
curadoria de Marili Brandão e Christian Ullmann, no Shopping D&D, em
São Paulo.
- Participa da exposição Paralelos que se encontram, no Rio Design
Center, organizada por Arnaldo Danemberg e Chicô Gouvêa.
2000 - Faz mobiliário para a Firma Casa, de São Paulo. - Móveis de
sua autoria, escolhidos por Bia Lessa, são utilizados no pavilhão do
Brasil na Feira de Hannover, Alemanha.
- Participa da exposição Design & Natureza - Madeira Certificada,
com curadoria de Marili Brandão e Christian Ullmann, no Shopping
D&D, em São Paulo.
2001 - Colabora com o designer José Roberto Calejo num projeto de
sofá e poltronas para a Escriba Indústria de Móveis.
- Participa da exposição Design & Natureza - Produtos Amigáveis, com
curadoria de Marili Brandão e Christian Ullmann, no Shopping D&D, em
São Paulo.
2002 - Participa da exposição coletiva 'Uma história do sentar', no
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, com curadoria de Adélia Borges.
- Participa da exposição Lilás, um olhar feminino, com curadoria de
Ethel Leon, na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo.
- Seus móveis começam a ser vendidos na loja Espasso, em Nova York.
2003 - Cria desenhos de tapete para a Companhia de Tapetes
Ocidentais, de São Paulo.
2004 - Cria a mobília da casa de fazenda projetada pelo arquiteto
mexicano Ricardo Legorreta, no interior de São Paulo.
- Desenvolve linha de móveis para a Casa 21, em São Paulo. Suas
peças passam a ser vendidas na loja Colombo la Famiglia, em Zurique,
Suíça. É incluída na obra Momentum design contemporâneo no Rio de
Janeiro (Rio de Janeiro: Viana & Mosley).
2005 - Suas criações começam a ser vendidas nas lojas Efeitos
Secundários, em Lisboa; S. L. Diffusion, em Paris, e também em dois
estabelecimentos nos Estados Unidos; na Espasso, em Los Angeles, e
na Eco 21, em São Francisco.
- É incluída na obra Design brasileiro - Quem fez, quem faz, de
Ethel Leon (Rio de Janeiro: Viana & Mosley).
- Participa da exposição Design brasileiro contemporâneo, no San
Francisco Design Center, com curadoria de Adélia Borges.
- Participa de mostra no Hotel Plaza Athénée, em Paris, organizada
por Lúcia Moura, Cristiane Chiofalo e Renata Brito.
- O Museu da Casa Brasileira faz retrospectiva de seu trabalho, com
curadoria de Adélia Borges.
- Faz uma linha de móveis para a loja Neo Design, de Belo Horizonte.